Izabel
O quarto estava seco da presença humana pois ela já não era humana, tornara-se uma espécie de zumbi que sobrevivia dia após dia e já não desejava, não esperava, não ansiava.
Cheiro de homem ela só sentia quando os vizinhos estavam no cio e a cama velha deles fazia aquele típico barulho dos que tem pressa em aliviar suas angústias carnais.
Ia trabalhar pela manhã e só voltava à noite. Inventava um trabalho atrás do outro para não ter que lidar com suas paredes tons de azul de morte.
Levantou em certa manhã com uma sensação estranha. Havia anos em que não sentia fome. Não era fome de comida e se alguém perguntasse ela não saberia explicar. Possivelmente porque nesses anos de solidão sua única companhia era o computador do trabalho e os vizinhos do outro lado da parede.
Foi até a cozinha e preparou um iogurte natural com bananas cortadas em rodelas, mel e granola. Era uma espécie de dieta natural que ela havia lido numa revista e que diziam fazer bem para os intestinos, já que os dela funcionavam como o resto de sua vida – travados.
Apesar de ter comido lentamente, sua fome não passou.
Sua fome não se localizava na barriga, mas num lugar que ela já não lembrava mais que existia.
Não sabia mais quem era ela. Se perguntassem, era bem capaz de nem saber mais qual era seu nome. Mas não havia ninguém para perguntar. E ela era obrigada a não esquecer todo final de mês quando chegava um contracheque escrito Izabel Lopes Trindade,
Era uma espécie de solidão que consome lentamente as estranhas e tornam pessoas normais em lesmas que sobrevivem de restos.
Mas aquela fome era sinal de vida? Ela ainda existia? Existia por quê?
Ninguém sentia sua falta. Ninguém a esperava em casa. Ninguém sabia onde morava.
Morreria sozinha - pensava todos os dias, e isso já não mais a incomodava como no começo. Esperava pacientemente que os anos passassem e sua vida se fosse.
Mas aquela dor surgida no seu coração a causou estranheza. E foi assim que ela redescobriu seu coração.
As vezes, é pela dor que a gente se lembra de quem é.
Escrito por Janaína às 07h49
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Yolanda
Ela passeava pela feira todas as segundas para fazer as compras da semana. Sua vida conjugal já não lhe trazia alegria e sua grande diversão era se imaginar deitada com aqueles homens com quem se defrontava semanalmente. Entre eles, seu preferido era o vendedor de maçãs – jovem, moreno, passava as mãos no cabelo com charme e escolhia as maçãs pelo cheiro. Ele nunca soube, mas Yolanda nunca gostou de maçãs, mas as comprava todas as segundas-feiras. Seu marido nunca entendeu por que Yolanda comprava tantas maçãs se não as comia, mas gostava da torta que ela preparava às terças-feiras. Durante 12 anos, comeu tortas de maças, que Yolanda só deixou de fazer quando morreu. Debaixo da cama onde morreu, encontraram um diário com anotações dela. Na última página, antes de falecer, Yolanda escreveu - “amei e fui feliz ao meu modo. Secretamente. Apenas eu sei o que se passa dentro de mim. Ninguém jamais saberá, nem encontrará tais coisas escritas no meu diário. No entanto, se quiserem aprender a fazer tortas de maçãs, há dezenas de receitas que colecionei durante os meus últimos 12 anos de vida. As maçãs foram o motivo de eu ter vívido até aqui”.
Escrito por Janaína às 09h24
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Marcela
Marcela casou-se aos 18 anos de idade com André, 20 anos mais velho. Ele a iniciou no sexo e ensinou-a tudo que sabia. Marcela aprendeu rápido e sempre se esmerou para satisfazer o marido e, mais tarde, também descobriu que ela própria podia ter prazer.
André era ciumento, talvez pela diferença de idade, talvez pela própria personalidade obsessiva. Passou a vigiar a mulher, suas ligações telefônicas e chegou a colocar, em vão, um delegado em suas costas. Marcela nunca o traiu e sofria com tanta desconfiança.
Um dia, cansada de tanta briga, Marcela pediu divórcio. Foi a partir daí que André começou a espancá-la. Fazia sem dó, nem piedade. Fazia porque a preferia cheia de hematomas a imaginá-la com outro homem.
Sem saber como lidar com a situação, Marcela percebeu que podia acalmar André com sexo. Assim, todas as vezes que ele a ameaçava, Marcela lhe cobria de beijos e acabavam transando.
Durante 13 anos Marcela viveu nessa agonia. E ela descobriu que tinha muito poder.
Certa noite, após chegar do trabalho, exausta, Marcela encontrou André na porta de casa a esperando com uma faca nas mãos, ameaçou mata-la se ela não largasse o trabalho. Ele achava sempre ele tinha casos com outros homens por lá. Como de costume, Marcela se esgueirou com André pela cama e lá, começaram a transar. Marcela não se satisfez nem com a primeira, nem com a segunda, nem com a terceira transa. André parecia não mais agüentar, mas Marcela estava certa de que aquela sua fúria merecia mais horas de maratona sexual.
Quando estavam transando pela quinta vez, André soltou um grito mais alto do que o de costume. Marcela pensou “bom, agora ele está satisfeito e ficará bem calmo”. E, de fato, André desfaleceu.
Marcela pensou que o marido deveria estar cansado de tanto sexo, mas, ao pega-lo, notou que ele estava gelado. Chamou-o por 3 vezes e ele não respondeu.
André havia tido um infarte fulminante. Foi isso que os médicos disseram quando chegaram ao apartamento.
Marcela chorou. Ela sentia pela perda do marido que havia tido, ainda que tivesse lembranças ruins de suas brigas por ciúme, mas ela soube, desde aquele dia, que tinha uma arma poderosa nas mãos – mataria qualquer homem de prazer. E aí daquele que ousasse toca-la novamente!
Escrito por Janaína às 06h58
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A menina que caçava borboletas - Parte I

Desde muito pequena, logo que aprendeu a andar, Aline tinha fascínio pelas borboletas que passeavam pelo jardim de sua casa. Corria atrás dela e ria alto quando conseguia uma maior aproximação.
Á medida que Aline foi crescendo, seu fascínio pelas borboletas foi aumentando. Passou a andar pelos parques das redondezas em busca de borboletas que não conhecia. Logo depois, estava na reserva ambiental de sua cidade com todo tipo de aparato que utilizava para poder caçar borboletas.
Com 17 anos de idade tinha uma grande coleção. Borboletas de todas as formas, cores, tamanhos e espécies. Ela conhecia cada uma, o nome científico, seus hábitos mais comuns e os lugares que costuravam ser encontradas.
No entanto, nunca se conformou de não ter conseguido capturar uma rara borboleta azul que costumava passar no final da tarde próxima aos jasmins de uma casa na rua vizinha à sua.
Insistentemente, Aline passou a ir todas as tardes em busca da borboleta desejada. Ela já havia observado que a casa sempre estava vazia no horário em que a borboleta aparecia por lá, por isso, entrava no quintal da casa e ficava à espreita, esperando a tal borboleta azul.
Foram tardes e mais tardes que Aline tentou captura-la, mas aquela borboleta azul era diferente das outras. Ela nunca parava em lugares baixos. Voava alto, bem alto, se aproximava de um jasmin e depois voava longe.
Aline tentou acompanha-la, algumas vezes, mas a danada da borboleta azul era mesmo difícil.
Persistindo em seu propósito, Aline voltava todas às tardes à espera da borboletinha.
Um dia, cansada de tantas andanças, acabou pegando no sono ali mesmo, no quintal da casa de alguém que ela nem sabia quem era.
Aline dormiu e sonhou com seu corpo sendo invadido por milhares de borboletas azuis até que ela própria se transformava em uma grande borboleta.
Escrito por Janaína às 12h38
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A menina que caçava borboletas - Parte II
Acordou assustada com o sonho e, quando se deu conta, estava diante de uma mulher idosa que a observava. A mulher tinha estatura baixa, mas parecia alta de muitos metros. Tinha o corpo arredondado, mas parecia esguia como uma serpente. Sua expressão era de reprovação.
- Afinal, o que faz uma menina deitada no meu quintal? – indagou a Senhora.
- Desculpe-me, Senhora... – disse Aline, desconcertada. – Eu apenas tentava capturar uma borboleta azul que passeia por aqui nos finais de tarde.
- Como!? – indagou incrédula a Senhora diante de Aline. – Como ousa invadir o meu quintal e tentar capturar a minha borboleta?!?
- Desculpe-me, Senhora... Eu não sabia que borboletas tinham donos. Na verdade, nunca conheci borboletas de estimação. – disse Aline num tom irônico.
- Pois saiba, minha querida, que esta é a minha borboleta. Eu sei disso tanto quanto ela. Me diga, pro acaso, quantas vezes já tentou captura-la?
- Ah! Essa é boa! Por que eu haveria de lhe dizer? – Aline usava um tom irônico com o propósito de enfurecer a Senhora.
- Minha jovem, preste atenção no que vou lhe dizer. Eu era jovem como você quando me casei. Meu marido foi o melhor homem que já conheci nesse mundo. Apesar de todas as dificuldades da vida de casados, nós fomos plenamente felizes. Há cerca de 8 meses eu fiquei viúva e minha vida parecia ter perdido o sentido. Chorava, me sentia sozinha e não queria mais estar nesse mundo. No entanto, um dia, enquanto eu chorava na janela da minha casa, avistei essa borboleta azul. Ela posou no meu braço e me disse que eu precisava ser feliz. Que sua vida dependia da minha felicidade. Naquele momento eu recebi um presente de Deus. Fui contemplada com uma borboleta azul que passou a vir todos os dias na minha casa me visitar e, quando eu não estou, ela voa por cima dos meus jasmins e pedem a eles que me dêem um bom perfume todas as manhãs como prova de que a vida continua.
Aline estava tremendamente envergonhada. Aquela mulher parecia louca, mas havia sentimento em seus olhos e em sua voz. Ela se questionava como ela poderia ter sido tão cruel!
Desse dia em diante, Aline nunca mais caçou borboletas. Ao invés disso, tatuou 11 borboletinhas azuis em seu corpo e ia todas às tarde, no mesmo horário de sempre, àquela casa com quintal, onde visitava sua mais nova amiga – a Senhora dona da encantadora borboleta azul.
Escrito por Janaína às 12h38
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Joana Café - Parte I
Joana trabalhou a vida inteira numa cafeteria na cidade de Feira de Santana, interior da Bahia. A moça fazia café como ninguém: de todos os tipos, para todos os gostos. Vivia para aquilo. Conhecia o gosto de cada cliente e as suas combinações preferidas. Joana, no entanto, tinha um problema: nunca se casou, nem mesmo teve um namoro que durasse mais de 3 meses. Não por falta de graça ou charme. Era alta, tinha longos cabelos pretos, braços fortes e a pele branca como pétalas de lírios. O problema de Joana é que ela tinha aversão a sexo. Qualquer menção de um namorado de tocar neste assunto, Joana virava uma fera. Toda sua doçura se esvaia e ela tratava logo de encerrar o relacionamento com o infeliz.
Durante anos, Joana sublimou de seus desejos e fingiu não dar atenção aos seus impulsos sexuais. Quando sentia que estava próxima demais de um homem, terminava o relacionamento e dobrava os horários de trabalho na cafeteria. E eram nesses momentos que seus cafés eram mais bem elaborados e saborosos.
Com o passar dos anos e a repressão a que Joana se submetia, seus cafés foram ficando cada vez mais gostosos e sua fama acabou se espalhando por todo o bairro e, em seguida, por toda região vizinha, chegando finalmente ao reconhecimento em sua cidade quando sua cafeteria foi eleita a melhor de Feira de Santana.
Viajantes paravam para experimentar o famoso café e sua fama começou a se espalhar também entre pessoas de cidades vizinhas.
Num dia de chuva, sua cafeteria estava cheia de gente. Havia caminhoneiros, famílias, viajantes solitários, grupo de amigos e pessoas que haviam saído de Salvador para experimentar aquele famoso café da Joana. Entre todas essas pessoas, havia um homem de meia-idade, com aparência de cansado, a pele morena e olhos opacos. Ele encostou no balcão e Joana foi atende-lo – ela fazia questão de atender cada cliente que chegava e, mesmo com a fama, nunca contratou ninguém para esta função.
O senhor se apresentou como Eduardo e disse que estava de passagem, havia saído de Salvador com destino a Cruz das Almas. Ouvindo falar muito bem do café de Joana, parou ali para experimentar.
A voz dele parecia feita de veludo e, de imediato, Joana se encantou. Enquanto Eduardo falava, pausadamente, Joana não conseguia tirar os olhos daqueles lábios que pareciam doces como açúcar.
Eduardo perguntou qual era o melhor café que ela tinha para lhe oferecer e Joana prontamente se pôs a prepará-lo. Enquanto escolhia o pó que iria usar, Joana sentiu sua pele arrepiada e não conseguia pensar em mais nada, a não ser naquela voz...
Fez tudo como sempre fazia, mas sem conseguir escolher bem os ingredientes. Joana separou o pó, ferveu a água, escolheu o tipo de açúcar, colocou um pouco de canela na água, como de costume, mas ela não tirava da cabeça a imagem dos lábios de Eduardo.
Serviu o café na xícara que era dela. Ela nunca usava essa xícara para servir os clientes, mas sentiu um imenso desejo de ver aqueles lábios encostarem-se à sua xícara.
Escrito por Janaína às 10h44
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Joana Café - Parte II
Quando tomou o primeiro gole, Eduardo fez uma careta. Nunca havia tomado um café tão terrível em sua vida. Ficou sem entender como diziam que aquele café era o melhor da região.
Ao ver a expressão de reprovação do cliente, Joana não se conteve! Pôs-se a chorar!
Eduardo, constrangido, tentou consola-la. Mas Joana não conseguia parar de chorar. Vendo aquela cena, os clientes foram saindo da cafeteria pouco a pouco e, um dos poucos funcionários do lugar, Pedro, resolveu fechar as portas para que nenhum cliente novo mais entrasse afinal, apenas Joana conhecia as receitas de seus cafés e só ela podia prepará-los.
Enquanto Joana chorava em seu colo, Eduardo sentiu seu corpo se moldando ao dela e sentiu um imenso desejo de beijá-la. Tocou seus cabelos delicadamente e Joana, pela primeira vez na vida, deixou que um homem a tocasse e a conduzisse. Eduardo era delicado e apaixonante. Joana nem pensou em resistir. Mandou Pedro embora e os dois amaram-se ali mesmo, na cafeteria.
No início Joana sentiu um certo desconforto, mas logo relaxou e pode se entregar ao amor que aquele homem tinha para lhe dar.
Nunca fora tão feliz na vida.
Dormiram entrelaçados e, durante a noite, Joana sonhou com todos os homens que havia rejeitado e ficou imaginando como teria sido o sexo com cada um deles.
Quando acordou, no meio da madrugada, Joana estava só. Eduardo havia ido embora sem deixar rastros. Nem um bilhete, nem um telefone, nem uma peça de roupa.
Joana chorou. Chorou tanto que já nem sabia se aquilo tudo havia sido real ou sonho.
No dia seguinte, Pedro a encontrou deitada no chão, entre as mesas da cafeteria, quase desfalecida. Ajudou-a a se levantar e se reerguer. Joana passou 5 dias na cama, adoentada e febril.
Enquanto isso, Pedro tentava tocar, sozinho, a cafeteria, mas ele não tinha o dom, não sabia a diferença entre os tipos de pó, nem de açúcar.
O movimento na cafeteria caia consideravelmente. Preocupado com as contas, Pedro conseguiu convencer Joana a voltar a cafeteria. Mesmo resistente, Joana retornou. Mas ela já não mais sabia preparar um café como antes. Ao contrário, seus cafés saiam amargos, fracos e sem gosto.
Sua fama caiu por terra e a cafeteria que, antes era ponto de encontro de diferentes tipos de pessoas, teve que ser fechada por falta de recursos para pagar as despesas. E Joana, nunca mais, conseguiu fazer um bom café.
Escrito por Janaína às 10h44
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Explosão dos sentidos - Parte I
Paola lavava os lençóis que guardavam os segredos de sua vida íntima.
Havia dias em que deitava na cama, fechava os olhos e deixava a mão direita deslizar por entre as pernas, enquanto que, com a outra segurava o lençol por cima do corpo, deixando o rosto roçar sobre ele como se este fosse a pele do homem amado. O homem que ela esperou a vida inteira, mas que nunca a olhou nos olhos, nem nunca a desejou. Ela só sabia que ele cheirava a talco e tinha a pele dourada de sol. Nunca soube seu nome completo, apenas que atendia por Figo.
Figo era cliente da loja onde ela trabalhava como garçonete. Ia todos os domingos levar sua noiva para lanchar. Geralmente ela pedia um pedaço de torta de chocolate com café gelado enquanto ele contentava-se em olhar para seu decote e, furtivamente, roçar sua perna na da noiva que fingia se incomodar com a situação mas que, certas vezes, suspirava de prazer.
Queria Paola ter sentido aquelas coxas roçarem nas suas, mas Figo nunca nem lhe levantara os olhos. Ele não precisava olhá-la. Toda sua atenção estava no singelo decote de sua noiva sem nome.
Certa tarde, a noiva sem nome chegou desacompanhada. Parecia aflita e soluçava. Tentando conter o choro. Avistou Paola – a mesma garçonete de todos os domingos e, pela primeira vez, notou seus cabelos ruivos e sua pele de sarda. Conseguiu balbuciar algumas palavras, mas não se fez entender. Paola perguntou se ela desejava seu café gelado com torta de chocolate, mas ela disse que naquele dia precisava de algo mais forte e diferente.
Paola, pressentindo que algo grave acontecerá, entrou no balcão de bebidas e preparou um drink com vodca, café e canela. Sacudiu levemente a bebida enquanto observava que a noiva sem nome a olhava curiosa.
Levou a bebida para a mulher e lhe disse:
- Tome de uma só vez. Se sentirá melhor depois.
Escrito por Janaína às 21h27
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Explosão dos sentidos - Parte II
Sem titubear, a noiva sem nome bebeu o drink conforme fora lhe ensinado.
Sentiu um fogo a tomar por dentro. Um calor que subia de suas coxas e explodia por todos seus poros. Um calor intenso. Um vulcão interno. Sua cabeça rodou por alguns segundos e quase não pôde se conter – soltou uma gargalhada que encheu toda a lanchonete.
Quando pôde retomar a si mesma, viu Paola em sua frente, lhe sorrindo pelo canto da boca.
Convidou-a para se sentar, mas Paola não podia. Estava em serviço. A noiva sem nome então resolveu esperar seu horário de trabalho terminar. Precisava conversar com alguém. Paola seria a pessoa ideal.
Sentou-se do lado de fora da lanchonete ainda embevecida pela sensação de um vulcão interior. Observou as pessoas entrarem, os casais de mãos dadas, as crianças lambuzando-se com sorvetes e caldas. A hora passou tão rápido que ela nem sentiu, ainda tomada pelo efeito do drink que ela resolveu chamar de Explosão dos Sentidos.
Foram caminhando pela calçada. Paola, tímida, a observava com curiosidade. Aquela era a mulher a quem seu amado desejava, a quem observava o decote todos os domingos à tarde, exceto naquele.
A noiva sem nome sorria e pediu a Paola que parassem numa praça arborizada, em frente a uma farmácia.
Então, ela e lhe contou sua história. Falou de todas as vezes que Figo a bulinara no caminho de volta para casa e de como aquela sensação de suas mãos percorrendo-lhe as coxas e entrando pela sua vagina lhe eram agradáveis. Falou sem parar do formigamento nas pernas e de todas as vezes que ele levantou suas saias na tentativa de penetrá-la.
Enquanto a noiva sem nome contava suas aventuras com Figo, Paola torcia-se de inveja por não ser ela a mulher a quem ele desejava tanto!
Escrito por Janaína às 21h27
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Explosão dos sentidos - Parte III
Em algum momento da história da noiva sem nome, Paola se perdeu em suas fantasias e, quando deu por si, a moça ao seu lado chorava sem parar, falando que acabará seu relacionamento por medo daquele instrumento poderoso que ela sentia em Figo.
Paola sorriu, satisfeita. Agora ela podia ter seu amado. Agora ele estaria disponível para olhá-la. Enquanto fantasiava, sentiu as mãos da noiva sem nome procurarem as suas e, em segundos, a mulher estava recostava em seus ombros a chorar.
Foi então que Paola sentiu aquele cheiro de talco que ela tanto amava e que acreditava ser de Figo. Foi então que Paola sentiu um intenso desejo de tocar aquela mulher – a mulher que havia rejeitado o seu amado.
Convidou-a até seu apartamento e ela aceitou. Lá, preparou mais um drink, só que desta vez, com vodca, mel e cravo.
A noiva sem nome, lânguida, deitou em seu sofá, tirou a roupa e olhou Paola, desejando-a. Paola sentiu um imenso desejo de tocar aquela mulher. E a tocou, a beijou. Amaram-se estranhamente. Paola sentia o cheiro de talco e imaginava Figo, enquanto a noiva sem nome, segurava os seios de Paola e gemia de prazer.
Passaram a noite inteira acordadas descobrindo várias maneiras de sentir prazer. Quando já não podiam mais, dormiram, cada uma em um lado da cama, sem se tocarem.
Quando amanheceu, a noiva sem nome arrumou-se, tomou banho e escreveu um bilhete para Paola, agradecendo o carinho, os drinks e o prazer que tinha lhe dado. Foi embora discretamente, sem acordar Paola que, ao levantar-se, sentiu o cheiro de talco em seus lençóis e percebeu que, enfim, havia tocado no homem que amava. Tocou e beijou Figo através da pele e das mucosas de sua noiva sem nome.
Escrito por Janaína às 21h24
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